Celebrando o Dia Oito de Maio

Para Agradecer a Helena Blavatsky,
É Preciso Compreender a Missão Dela

Carlos Cardoso Aveline

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H.P. Blavatsky no seu escritório,  em foto de 1887

 

Políticos destituídos de lealdade fazem homenagens aos próprios ideais que eles traem.

Pouco depois da morte de Helena P. Blavatsky no dia 8 de maio de 1891, Henry S. Olcott se preparava para começar sua luta pelo poder contra os que eram leais à fundadora do movimento esotérico moderno. Foi então que Olcott estabeleceu o “Dia do Lótus Branco”, que passaria a ser celebrado a cada oito de maio como homenagem a Helena Blavatsky. [1]

Olcott estava iludido.

Apesar de fundamentalmente honesto, seu discernimento em matéria de ética era frágil. Ele deveria saber que Helena Blavatsky não aceitava ser objeto de adulação pessoal. Tal prática seria contrária aos votos feitos por ela de autoesquecimento e dedicação impessoal à Verdade.

Blavatsky queria que as pessoas tivessem, isso sim, lealdade em relação aos ensinamentos dos Mahatmas. Nesse ponto, Olcott e sua aliada política Annie Besant falharam: a meta principal dos dois era em grande parte obter poder institucional.  

Há apenas um aspecto  em que o nome “Dia do Lótus Branco” é ironicamente adequado para a data escolhida pela Sociedade de Adyar para “prestar homenagem” a HPB.  O nome dado por H. S. Olcott coincide com o título de um livro clássico de Mabel Collins, “O Idílio do Lótus Branco”. A obra narra uma história infeliz de altas traições em uma organização esotérica. [2]

A cobiça pelo poder pode ocultar-se sob uma homenagem.

Apesar das aparências de curto prazo, no entanto, toda forma de deslealdade produz cedo ou tarde a sua própria derrota. No tempo certo, a ética e a verdade vencem. E, de fato, o  movimento teosófico já se liberta como Fênix, erguendo-se gradualmente das cinzas da ilusão pseudoespiritual.  

Isso é possível porque a missão de HPB, atuando nos planos superiores de consciência,   constituiu no século 19 um ponto de mutação no processo civilizatório atual. Graças a ela foi alterado substancialmente o rumo dos acontecimentos do século 20 e do século 21.

A Importância de Oito de Maio

A segunda guerra mundial é um divisor de águas no carma de nossa humanidade, e a sua conclusão com a vitória da democracia está numerologicamente ligada ao esforço teosófico.[3]

O ciclo de setenta anos é importante em teosofia avançada porque combina o número sete com a década pitagórica.

Exatamente sete décadas após a fundação do movimento teosófico em 1875, no dia oito de maio de 1945 selou-se a paz na Europa com a vitória dos Aliados e da democracia contra o Nazi-Fascismo. A missão de HPB, ao plantar as bases de uma fraternidade universal, tinha como uma das suas metas reduzir os efeitos das guerras do século 20 e impedir que a humanidade caísse sob o domínio completo da ignorância espiritual organizada.

Em oito de maio de 1891 HPB concluiu sua missão.  Em oito de maio de 1945 foi oficializada  uma importante vitória da humanidade contra o obscurantismo. No mesmo ano nasceu a Organização das Nações Unidas, cuja meta maior é a harmonia entre os povos.

Como Celebrar a Missão de HPB

O modo correto de expressar admiração pelo trabalho de Helena Blavatsky permanece o mesmo, e nunca mudou.

Consiste em compreender e apoiar, em primeiro lugar, a proposta original do esforço teosófico, que visa tornar mais fácil o processo pelo qual a humanidade se libertará de ritualismos, guerras e superstições. Para isso é necessário vencer individual e coletivamente o medo de ser sincero, e passar a abrir caminho para a civilização fraterna do futuro.

Cabe no dia oito de maio renovar os nossos votos de buscar o melhor a cada momento da vida.

É oportuno um agradecimento sincero aos Mestres de Sabedoria e aos que trabalham com eles. Podemos agradecer em silêncio a todos os seres, e especialmente aos mais evoluídos que nós; e também reafirmar a nossa decisão de ter uma vida ética.

Ao longo do mês de maio, assim como na época da sua Lua Cheia, amplia-se potencialmente sem grande esforço o contato com a voz sem palavras da nossa consciência mais elevada, que é universal.

NOTAS:

[1] Sobre o que aconteceu em termos políticos logo após a morte de HPB em maio de 1891, veja o bem-documentado artigo “The Wills of Helena P. Blavatsky” (“Os Testamentos de Helena P. Blavatsky”), de Ernest Pelletier. O texto está disponível em nossos websites associados.

[2] “O Idílio do Lótus Branco”, de Mabel Collins. A obra tem edições da Editora Pensamento e da Editora Teosófica. Embora o livro contenha alguns pontos de ensinamentos teosóficos, dedica demasiada atenção ao tema da traição e a pensamentos negativos. A atmosfera do pequeno romance é pessimista e antecipa de certo modo a trajetória de Mabel Collins, que traiu os preceitos éticos e abandonou o movimento teosófico não muito depois da publicação da obra. O sr. T. Subba Row, que faz uma veemente defesa de “O Idílio”, tampouco teve um final ético ou feliz em sua curta trajetória teosófica.

[3] Veja em nossos websites associados os artigos “A Teosofia e a Segunda Guerra Mundial”, “Blavatsky, ONU e Democracia”, “A Teosofia da Civilização Futura”,  e “O Movimento Teosófico, 1875-2075”. Todos eles foram escritos por C. C. Aveline.

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Veja o texto “A Lua Cheia de Maio”, de Carlos Cardoso Aveline. O artigo está disponível em nossos websites associados.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.

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Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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