A Ciência Exata Descobre a Ecologia Profunda

Um Capítulo do Livro
‘A Vida Secreta da Natureza’

Carlos Cardoso Aveline 


 

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O texto a seguir corresponde ao capítulo 17 da obra “A Vida
Secreta da Natureza – Uma Iniciação à Ecologia Profunda”, de Carlos
Cardoso Aveline, Ed. Bodigaya, Porto Alegre, terceira edição, 2007, 156 pp.
O título original do artigo é “A Ciência Exata Descobre a Ecologia Profunda”.

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“Só a verdade pode ser a autoridade; ela não exige
nada de ninguém, mas convida a um exame atento.” 

 Robert Crosbie [1]

 

O meio ambiente em que vivemos não é um vale ou montanha, nem uma zona rural ou cidade. Tampouco é um continente, ou o planeta Terra: o universo inteiro é o nosso ambiente natural. As galáxias navegam conosco na mesma onda de vida.

Em nossa pequena casa planetária – uma esfera achatada nos pólos, com 12.700 quilômetros de diâmetro –, a Lua regula as marés, influencia a vida das plantas e faz oscilar as emoções humanas. O Sol define o rumo do nosso planeta e manda a energia vital que anima cada árvore, pé de alface, folha de grama, pássaro, peixe ou ser humano. O caráter e a consciência de cada um de nós também são influenciados o tempo todo não só pelo Sol, mas por cada um dos planetas do Sistema Solar e por outras forças cósmicas cuja ação ainda não foi identificada ou descrita pela ciência convencional. O céu inteiro imprime sua marca na vida de cada ser humano que nasce e influencia os acontecimentos individuais e coletivos, tanto no plano material como nas dimensões sutis.

A ciência que descrevia o universo como um aglomerado de coisas separadas, relacionadas mecanicamente entre si, faliu. A vanguarda pensante da ciência tem uma visão integradora das coisas, e isto não é de agora. A ciência teve um breve sonho mecanicista durante a Revolução Industrial, mas já acorda de novo para a realidade. Leonardo da Vinci, Paracelso, Francis Bacon, Isaac Newton, Thomas Edison e inúmeros outros foram cientistas e místicos ao mesmo tempo. Já no século vinte, Albert Einstein mantinha sempre em sua escrivaninha um exemplar de “A Doutrina Secreta”, de Helena Blavatsky.

Mas foi a partir de 1975, com a publicação de “O Tao da Física”, de Fritjof Capra, que uma nova visão da ciência como aliada da sabedoria oculta se impôs como tendência e se popularizou. Capra abre seu livro citando Carlos Castaneda, para dizer que a física moderna é um caminho que deve ser percorrido com o coração:

“Olhe cada caminho com cuidado e atenção. Experimente-o quantas vezes julgar necessárias… Depois faça a si mesmo uma pergunta: este caminho possui coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, este caminho não possui importância alguma”.

A seguir, Capra faz um estudo comparado do misticismo oriental e da física moderna, mostrando que, com linguagens diferentes, ambos falam da unidade de todas as coisas, da necessidade de transcender a dualidade e o espaço-tempo, e ambos buscam, de modo similar, compreender a relação entre o vazio e a forma.

Em 1980, outro físico, David Bohm, publicou a obra “A Totalidade e a Ordem Implícita” (publicada no Brasil como “A Totalidade e a Ordem Implicada”), em que faz uma reflexão sobre o processo periódico de exteriorização e interiorização do universo, por um lado, e de cada coisa que existe nele, por outro. Em 1981, o biólogo inglês Rupert Sheldrake lançou um livro polêmico radicalizando, em termos científicos, o conceito de campos morfogenéticos e estabelecendo uma base experimental para que se demonstre a existência da luz astral ou o akasha da tradição esotérica.

O conceito de campos morfogenéticos (do grego morfo, forma, e gênese, origem) foi criado na década de vinte por biólogos de visão holística. Para Sheldrake, os campos morfogenéticos são semelhantes aos campos eletromagnéticos e gravitacionais conhecidos pela física, mas possuem algumas características extraordinárias:

“Como os campos conhecidos da física, eles conectam coisas similares através do espaço, embora aparentemente não haja nada entre elas; mas, além disso, eles conectam coisas através do tempo.”[2]

Esta é, precisamente, a característica central do akasha oriental, o éter universal, ou a essência espiritual do mundo físico, que Helena Blavatsky descreveu no século dezenove. Por outro lado, o enfoque de Sheldrake tem uma correspondência perfeita também com a ideia de ordem implícita do físico David Bohm. Assim, a ciência moderna vai redescobrindo, em cada um dos seus campos, elementos da sabedoria milenar.

Nos anos vinte, o conceito de campos morfogenéticos foi criado em função do crescimento e das formas adotadas pelos seres vivos, e permitiu explicar, por exemplo, que um embrião humano dispõe – para orientar-se em seu crescimento – de campos morfogenéticos que servirão de molde para a orelha, o braço, etc., cumprindo a função de arquétipos registrados no akasha ou luz astral. O DNA das nossas células não contém em si a memória genética, mas permite “sintonizar” com o campo morfogenético de uma maneira que é geneticamente determinada, assim como a antena de um aparelho de televisão permite sintonizar com determinadas ondas emitidas pelas estações.

Mas Sheldrake tomou este conceito, limitado ao estudo do crescimento dos seres orgânicos, e o ampliou radicalmente, chamando-o de campo mórfico e aplicando-o a todas as áreas da natureza. Sua hipótese da causação formativa sugere que “os sistemas auto-organizadores, em todos os níveis – inclusive as moléculas, os cristais, os tecidos, organismos e sociedades de organismos –, são organizados por campos mórficos”.[3]

Esses campos mórficos podem ser considerados por um estudioso da tradição esotérica como uma espécie e estantes virtuais do akasha ou luz astral, onde “tudo está escrito” segundo os místicos. A memória humana, de acordo com este ponto de vista, não se localiza no cérebro físico. O cérebro é que sintoniza com os campos mórficos onde estão registradas as nossas impressões dos acontecimentos passados.

“Deste ponto de vista”, escreve Sheldrake, “substâncias como a penicilina cristalizam-se do modo específico como fazem não porque são governadas por leis matemáticas permanentes, mas porque, antes, já se tinham cristalizado desta maneira; estão seguindo hábitos através da repetição.” Realmente, novas substâncias químicas sintetizadas pela primeira vez são normalmente difíceis de cristalizar, e passam a formar cristais mais facilmente à medida que a cristalização se repete. Essa incidência do passado sobre o presente é chamada por Sheldrake de ressonância mórfica. A ressonância causa “a influência do semelhante sobre o semelhante através do tempo e do espaço”, e não diminui com a distância física. Ela não transfere energia, mas sim informação, sugerindo como organizar a energia.

A hipótese de Sheldrake permite entender que os processos regulares da natureza são governados em alguns casos por hábitos herdados através da ressonância mórfica, e não apenas pelas leis eternas. Assim, os organismos vivos herdam não só genes mas também campos mórficos, ou auras.  “Os genes são transferidos materialmente por seus ancestrais, e permitem produzir certos tipos de moléculas de proteínas; os campos mórficos são herdados de um modo não material, por ressonância mórfica, não apenas de ancestrais diretos, mas também de outros membros da espécie. O organismo sintoniza os campos mórficos da sua espécie e, desse modo, tem à sua disposição uma memória coletiva ou de grupo onde colhe informações para seu desenvolvimento” [4].

Aqui, Sheldrake continua incluindo em seu trabalho a ideia teosófica de akasha  ou luz astral – a contrapartida sutil do mundo natural –, o livro da vida em que ficam registrados os fatos já ocorridos e onde também estão as sementes de fatos futuros. No reino animal, o carma de experiências acumuladas é predominantemente coletivo, enquanto no reino humano as almas já estão individualizadas e, embora haja um inconsciente coletivo, cada uma processa, fundamentalmente, as suas próprias experiências.

O conceito de campo mórfico corresponde também à ideia de aura. É na aura ou envelope áurico, segundo Helena Blavatsky, que se armazenam os resíduos do passado e as possibilidades para o futuro.  Há, deste modo, uma clara ressonância mórfica entre as várias encarnações da mesma alma humana. É por esta ressonância que, em alguns casos, ocorre a lembrança de vidas passadas: a pessoa foca a consciência diretamente em um nível profundo do seu próprio campo mórfico e lê, no akasha ou luz astral, os registros de uma vida anterior, ou capta relances dela. A tentativa deliberada e artificial de conhecer vidas anteriores é enganosa, porque assim captamos apenas campos mórficos ilusórios.

O ponto de vista de Sheldrake permite explicar, também, as mudanças qualitativas de comportamento. Quando houver um número suficiente de pessoas sintonizadas com a energia da lei universal, e já estiver registrado no campo mórfico do nosso processo civilizatório um número suficiente de experiências acumuladas para que emerja uma civilização baseada na ética, a mudança de atitudes coletivas pode ser súbita, como no episódio famoso do “centésimo macaco”.

Conta-se que cientistas observaram o surgimento do hábito de alguns macacos lavarem na água da praia, antes de comerem, as batatas que ganhavam como ração. O exemplo dos pioneiros foi sendo seguido, aos poucos, por mais indivíduos. Quando o número de macacos que lavavam as batatas chegou a certo ponto – supostamente ao “centésimo macaco” – os macacos de outras ilhas distantes passaram a ter o mesmo comportamento inovador e mais inteligente.   

A hipótese do campo mórfico e a ideia do akasha permitem explicar este fato. Assim, também, quando um número suficiente de pessoas houver adotado novas formas de viver e de trabalhar sintonizadas com o princípio da fraternidade universal, a transformação do cenário mundial pode ser muito rápida, ocorrendo como uma espécie de relâmpago cultural global – o ponto ômega de Teilhard de Chardin, a iluminação súbita da tradição zen.   

A mudança de mentalidade já ocorre hoje em progressão geométrica, como uma bola de neve, embora deva passar necessariamente por estágios purificadores antes de se mostrar como uma primavera e um renascimento da ética da Fraternidade. Os meios de comunicação social serão usados possivelmente como instrumento físico desta propagação, mas a mudança fundamental se dá dentro do processo oculto que pode ser chamado tanto de campo mórfico como de luz astral, de akasha ou até de evolução cármica.

É verdade que estes vários conceitos não são iguais entre si. Eles mostram aspectos diferentes do mesmo processo complexo que ocorre em quatro dimensões e não nas três dimensões físicas conhecidas – comprimento, largura e espessura. O espaço astral tem quatro dimensões, e suas características não podem ser descritas verbalmente com exatidão.

De acordo com o conceito de evolução cármica, o carma positivo das novas atitudes, afinadas com a era de fraternidade universal que se aproxima, precisa amadurecer para que o todo da experiência humana seja transferido da velha “maneira de funcionar” para a nova forma de organização.

A experiência humana não avança ao acaso, mas evolui de maneiras determinadas, cuja estrutura é dada pelos campos mórficos. Estes campos garantem a vigência da lei do carma e do equilíbrio (ação e reação). É o registro das ações na luz astral ou akasha que permite e provoca as reações cármicas correspondentes. A ressonância mórfica é, assim, instrumento da lei do carma, pela qual todos os seres colhem o que plantam e tudo o que ocorre é registrado, produzindo os efeitos correspondentes no tempo adequado.

Sheldrake não fala de ocultismo nem de sabedoria eterna em seus textos científicos destinados a discutir a hipótese dos campos mórficos. Mas pessoalmente é um estudioso de teosofia e das tradições místicas, e, mesmo mantendo uma linguagem científica, ele afirmou em um artigo:

“Alguns aspectos desta hipótese lembram elementos de vários sistemas ocultos e tradicionais, como o conceito de corpo etérico, a ideia das almas-grupo de espécies animais, e a doutrina dos registros akáshicos. No entanto, esta hipótese é levantada em termos estritamente científicos, e como tal terá que ser julgada por testes empíricos.”[5] Realmente, a correspondência do campo mórfico com a aura sutil dos objetos e organismos vivos é notável.

Não há dúvida de que as teorias de Rupert Sheldrake e David Bohm são perfeitamente compatíveis uma com a outra. Em um diálogo com Bohm, a filósofa Renée Weber perguntou qual era, então, a diferença entre os dois enfoques.

“A diferença principal é que a ordem implícita é mais geral”, respondeu Bohm. “Deve-se considerar a ordem implícita como uma esfera além do tempo, uma totalidade a partir da qual cada momento é projetado na ordem explícita” – ou seja, no mundo visível.  “Para cada momento projetado na ordem explícita”, afirma Bohm, “haverá outro movimento em que este momento será injetado ou ‘introjetado’ na ordem implícita.” [6]

Para Bohm, a cada momento de expansão segue um momento de retração. Esta é a lei do carma: a cada ação, há uma reação correspondente no sentido oposto. E assim se dá a pulsação de toda vida no universo. A cada dia, uma noite. Depois de cada vida física, um descanso longo antes da próxima encarnação. Depois de cada dia de trabalho, uma noite de sono. Depois de cada inspiração, uma expiração. O coração humano se expande e contrai a cada momento. E os elétrons, explica Bohm, também pulsam, embora  sua vibração seja tão rápida que é impossível detectar convencionalmente este movimento. A teoria da ordem implícita estimula uma reflexão sobre as relações misteriosas entre o oculto e o manifesto, o reino espiritual e o reino material e humano. Já o enfoque mórfico de Rupert Sheldrake, mais prático, mostra a relação entre o mundo físico e a luz astral. As diferenças entre os dois pontos de vista são poucas, porque a teoria de Sheldrake, aparentemente limitada, pode ser levada às últimas consequências, explicando a formação e o descanso periódico dos universos, que são criados por ressonância mórfica. A principal diferença entre os enfoques de Bohm e Sheldrake parece estar no estilo e na formação dos dois pesquisadores, um físico e o outro biólogo.

De qualquer modo, livre dos dogmas materialistas, a ciência moderna está descobrindo a luz astral. É esta contraparte sutil e oculta, ou “implícita”, do mundo físico que orienta o trabalho de Fritjof Capra ao desenvolver, em seu  livro “A Teia da Vida”, os conceitos de ecologia profunda e de visão sistêmica da vida. [7]  A palavra akasha significa luz, ou éter, em sânscrito. Para Helena Blavatsky, é a substância primordial do universo. Eliphas Levi usou a expressão luz astral, que vem da cabala e corresponde ao nível mais denso da Alma do Mundo na tradição esotérica.

“Tem havido uma variedade infinita de nomes para expressar a mesma coisa”, escreveu Blavatsky em “Ísis Sem Véu”, obra publicada em 1877. “O caos dos antigos, o fogo sagrado do zoroastrismo, o fogo de Hermes, o Rá egípcio, a sarça ardente de Moisés, a luz sideral dos rosacruzes, os vapores do oráculo de Delfos, o akasha dos adeptos hindus, a luz astral de Eliphas Levi, a aura nervosa e o fluido dos magnetizadores, a força psíquica do sr. Crookes, o magnetismo atmosférico de alguns naturalistas (…) são apenas nomes diferentes dados a diversas manifestações externas da mesma causa misteriosa que a tudo permeia”, disse a escritora russa. [8]

Podemos incluir nesta relação, agora, a ordem implícita de David Bohm e o campo mórfico de Rupert Sheldrake. A compreensão deste tema, no entanto, não deve ser meramente intelectual. O caminho da ciência pode de agora em diante voltar a ser percorrido com o coração, como propõe Capra. Nas palavras do teosofista G. de Purucker, “é impossível compreender a sabedoria oculta sem perceber que a ética atravessa como um cordão de ouro todas as doutrinas da filosofia esotérica”.[9]     

A conduta ética brota naturalmente quando buscamos a verdade, e quando percebemos a lei da unidade e da  reciprocidade.  Assim vemos como operam os campos mórficos e a luz astral.    

Já existe, pois, uma corrente na ciência moderna que não só reconcilia a pesquisa científica com busca espiritual e uma compreensão filosófica do meio ambiente, mas também contribui para que o ser humano seja cada dia um pouco melhor – cada dia um pouco mais verdadeiro.

Clonagem e Luz Astral     

As experiências de clonagem de animais como ovelhas e macacos são, aparentemente, mais uma comprovação do conceito de campo mórfico criado por Rupert  Sheldrake. Há várias décadas, Harold Saxton-Burr fez uma experiência para demonstrar que cada célula animal contém todas as informações genéticas do organismo a que pertence. Ele transplantou células especializadas no crescimento dos olhos de uma salamandra, colocando-as na cauda desse animal anfíbio. No novo ambiente eletromagnético, as células desativaram os genes das funções anteriores e ativaram os genes do crescimento da cauda, adaptando-se perfeitamente.      

A clonagem que levou ao nascimento da ovelha Dolly, anunciada em fevereiro de 1997 pelo Instituto Roslin, da Escócia, foi feita a partir do núcleo de uma célula da mama de uma ovelha adulta, transplantado para um óvulo não-fecundado de outra ovelha, cujo núcleo havia sido retirado. Do ponto de vista esotérico, esse núcleo de célula serviu de ponto de apoio, ou funil, através do qual a forma arquetípica da ovelha adulta, presente na luz astral ou campo mórfico, foi “precipitada” ou “condensada” – como o vapor que se transforma em água –, transferindo-se para o plano físico. Outra imagem, usada por Sheldrake, é a de um aparelho de rádio, que capta ondas eletromagnéticas no ar e as condensa em forma de energia sonora. O núcleo da célula, que carrega todo o DNA do indivíduo, dá a forma  particular como aquele ser sintoniza o mundo astral, absorve energia vital e evolui dentro de certo formato físico.

O mesmo processo ocorre no reino vegetal: a árvore não está presente em cada semente sua, mas a semente tem o poder de focar e dirigir a energia vital do mundo sutil,  de modo que ela venha para o mundo físico. Guardadas as proporções, os vegetais que são reproduzidos por estaca – pequeno ramo que, plantado, reproduzirá a árvore ou arbusto de onde foi arrancado – oferecem um processo semelhante. Em ambos os casos, fica comprovado o antigo axioma hermético segundo o qual  “o todo está contido em cada uma das suas partes”.

NOTAS:

[1] “The Friendly Philosopher”, Robert Crosbie, Theosophy Company, 1945, 416 pp., ver p. 91.

[2] “The Hypothesis of Formative Causation”, artigo de Rupert Sheldrake na revista The American Theosophist, outono de 1982, p. 357. O título do livro lançado em 1981 é “A New Science of Life”.

[3] “O Renascimento da Natureza”, de Rupert Sheldrake, Ed. Cultrix, 1993, 236 pp.; ver p. 116. 

[4] “O Renascimento da Natureza”, p. 117.

[5] “The Hypothesis of Formative Causation”, The American Theosophist, outono de 1982, p. 360.

[6] “Diálogos com Cientistas e Sábios”, Renée Weber, Ed. Cultrix. 1988, 302 pp.; ver p. 123. Este livro contém diversos diálogos com Bohm e Sheldrake. Veja também “A Totalidade e a Ordem Implicada”, de David Bohm, Ed. Cultrix, 292 pp.

[7] “The Web of Life”, Fritjof Capra, Anchor Books, Doubleday, Nova York/Londres, 347 pp., 1996. Veja também os outros livros de Capra, especialmente “O Tao da Física” e “O Ponto de Mutação”, da Ed. Cultrix.

[8] “Ísis Sem Véu”, de H. P. Blavatsky, obra em quatro volumes, ed. Pensamento. Ver volume I, p. 202.

[9] “Occult Glossary, A Compendium of Oriental and Theosophical Terms”, G. de Purucker, Theosophical University Press, Pasadena, California, 1972, item “Ethics”, p. 46.

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Sobre o mistério do despertar individual para a sabedoria do universo, leia a edição luso-brasileira de “Luz no Caminho”, de M. C.

Com tradução, prólogo e notas de Carlos Cardoso Aveline, a obra tem sete capítulos, 85 páginas, e foi publicada em 2014 por “The Aquarian Theosophist”.

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A Ecologia da Mente

Meios Para Encontrar a Harmonia Interior 

Carlos Cardoso Aveline

 

O equilíbrio ecológico é apenas a fraternidade, a harmonia, e a relação de causa-e-efeito unindo as diferentes formas de vida nos vários reinos da natureza. Mas sou humano, tenho muito por aprender, e é correto que me pergunte:

“Será possível viver de fato a fraternidade no dia-a-dia da sociedade que me rodeia hoje? Como posso viver uma ecologia interior, harmonizando-me com a vida humana em geral, aqui e agora, por meu próprio mérito e esforço e sem impor condições prévias aos outros?”

Algumas ideias básicas podem ser úteis na tentativa de viver a ecologia da mente e de ser igualmente fraterno para com todos.

1) Em primeiro lugar, o erro alheio não deve fazer com que eu me sinta autorizado, nem remotamente, a errar da minha parte. Perceber um erro não justifica outro. A verdadeira autoestima não surge da comparação em que se atribui desvantagem aos outros. A satisfação com o erro alheio é muitas vezes uma fuga de nossas próprias frustrações, e deve ser vencida pela observação atenta do mecanismo da inveja e da competição.

2) O erro alheio não deve causar excessiva indignação. Pode-se combater o erro alheio, especialmente quando ele tem consequências negativas sobre seres inocentes. Mas a indignação excessiva nos cega e tira a serenidade.  É preciso combater o erro, não a pessoa que errou. E a indignação exagerada diante do erro pode ser um disfarce da inveja. Perde-se muita energia com indignação emocional diante dos erros alheios.  Em alguns casos, estes erros são inclusive imaginários, no todo ou em parte.  O excesso de indignação é uma energia que seria melhor empregada no nosso próprio autoaperfeiçoamento. Esta última tarefa é algo que ninguém pode fazer por nós.  

3) Saber ouvir a crítica aos nossos  próprios erros. Ouvir os outros, em geral, já é difícil. Ouvir uma crítica  a nós é mais difícil ainda. Inconscientemente, gostamos de supor que somos infalíveis. É preciso ouvir de fato as críticas dirigidas a nós. São verdadeiras?  Então é preciso coragem para mudar. São falsas? Depois de um exame honesto, neste caso, devemos deixar que a crítica injusta entre por um ouvido e saia pelo outro.

4) Não devo enxergar erros alheios onde eles não existem. Muitos erros alheios são miragem e alucinação. É cômodo transferir para fora pontos fracos nossos, ou exagerar as falhas dos outros para poder chegar à conclusão de que somos perfeitos, e apenas o mundo é que – injustamente – não nos compreende.

5) Devo fazer o bem. Não basta manter-me livre tanto do mal quanto do sentimento de raiva contra o mal. É preciso também fazer coisas boas, duráveis, equilibradas. E isto não só no aspecto pessoal, como também na dimensão familiar, social e política. Porque não há muros dividindo um setor e outro da nossa vida. Não é a crítica que elimina o mal, mas a prática firme e paciente do bem, por parte de quem procura ter o máximo de discernimento diante da vida. A crítica é um fator auxiliar importante, de grande valor preventivo. 

6) Devo tornar acessível aos outros a prática do equilíbrio e da harmonia. Em casa, no trabalho, na convivência com pessoas e animais, devo colocar ao alcance de todos alguns mecanismos simples pelos quais a fraternidade humana possa manifestar-se. Isto será eficaz na medida da simplicidade pessoal com que for feito. Deve ser algo natural. Se não estiver ocorrendo, todo o processo precisa ser repensado, porque está faltando algo importante.

7) Ter uma meta e um programa definidos para minha vida. A vida de uma pessoa é algo demasiado importante para perder-se em meio aos problemas e ilusões diárias, lembranças de ontem e esperanças para a semana que vem. Quais são os meus objetivos existenciais? De que forma pretendo fazer da minha vida algo realmente significativo e útil? O que desejo aprender e realizar até os 95 anos de idade? São perguntas importantes. E não é por casualidade que, quando enfrentadas, acabam conduzindo aos outros seis pontos abordados anteriormente. O sétimo ponto é, de certa forma, o primeiro.

Deste modo, a ecologia da mente está presente nos relacionamentos, assim como nas ideias, nas emoções e em todos os aspectos da vida diária. Antes de olharmos o ecossistema externo, cabe olhar para o nosso conteúdo interior: estaremos sendo ecologicamente corretos no campo das relações humanas? Devemos plantar com calma e durante muito tempo aquilo que desejamos colher no futuro.

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O texto acima corresponde ao capítulo quatro da obra “Apontando Para o Futuro”, Carlos Cardoso Aveline, Ed. PrajnaParamita, Porto Alegre, 1996.

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Sobre a teosofia do ambiente natural e a ecologia da mente, veja o livro “A Vida Secreta da Natureza”, de Carlos Cardoso Aveline.

O livro foi publicado pela Editora Bodigaya, de Porto Alegre, tem 157 páginas divididas por 18 capítulos e está na terceira edição, de 2007.

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The Aquarian Theosophist, March 2017

 
 

Our March edition has this opening thought:

By studying the flow of Cycles one gets to understand the science of the use of time.”

The article that starts on page one is “Wisdom in Daily Life: The Theosophy of Economics”.  It says:

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In both ancient and modern societies, economic relations constitute a central karmic process for they are not limited to the material plane of life, but unfold on various levels of consciousness.

Economic structures play a key role in human history and destiny: the degree of justice and equity present in them helps define the inner quality of life.

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These are other topics in the March 2017 “Aquarian”:    

*The Meals of the Pilgrim – the issue of food in esoteric philosophy; 

* Helena Blavatsky, On Ethics in the Theosophical Movement;

* Contrast and Unity, the Paradox of Man Regarding the Cosmos;  

* 2017, the Year in Which Nuclear Weapons Could Be Banned?;

* Listening to the Silence;

* Rejecting Emotional Garbage;

* Thoughts Along the Road; and

* April 2, a Day to Celebrate Altruism.

The 15 pp. edition includes the List of New Texts in our associated websites.  
 

Click Here to Read
“The Aquarian”, March 2017

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You can find the entire collection of “The Aquarian” at our associated websites.

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E-Theosophy e-group offers a regular study of the classic, intercultural theosophy taught by Helena P. Blavatsky (photo).

Those who want to join E-Theosophy e-group at YahooGroups can do that by visiting https://groups.yahoo.com/neo/groups/E-Theosophy/info.

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Caso Haja Um Problema Com a Civilização Atual

Notas Sobre a Necessidade de Acordar

Carlos Cardoso Aveline


Vale a pena agir com altruísmo enquanto é tempo

 

Se acaso você observar que alguns políticos mentem diariamente e as palavras deles são em muitos casos governadas por mera aparência e pesquisas de opinião, evite a onda de pensamento negativo. Mantenha contato com a sinceridade em sua consciência, e olhe para o estado atual do movimento teosófico.

A qualidade de vida de uma comunidade reflete a existência ou não de um número suficiente de sábios em seu meio. O movimento teosófico foi criado para cumprir um papel ativo na própria alma da civilização humana, inspirando-a no caminho correto. A eficiência do esforço não depende da quantidade de associados das agrupações teosóficas: decorre da qualidade e da sabedoria que cada um deles tem. O dever dos teosofistas é estimular a ética e a sinceridade ao seu redor, fazendo isso através do exemplo individual e coletivo. 

Portanto, se a mídia diz apenas o que é conveniente para aqueles que controlam o dinheiro e as burocracias governamentais, você deve observar com atenção as associações teosóficas.

E se a proliferação nuclear se espalha e há guerras inter-religiosas, pergunte a si mesmo por que motivos o movimento teosófico, tal como originalmente pensado, não está mais forte, mais ativo, e mais claramente responsável pelo presente e pelo futuro da humanidade.

E se o movimento esotérico lhe parecer fraco e apresentar sintomas de uma irresponsabilidade crônica em relação à humanidade, pergunte então a si mesmo qual é a melhor maneira de acelerar o seu próprio despertar, como estudante da sabedoria eterna; e de que modo poderá acordar mais amigos a seu redor.

Não subestime seu potencial. Persevere e tire lições enquanto tenta o melhor a cada dia. A vitória virá, em silêncio, no tempo certo.

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O texto acima foi publicado pela primeira vez sem indicação de nome de autor, na edição de janeiro de 2016 de “O Teosofista”, pp. 1-2, sob o título “Caso Haja Um Problema Com Nossa Civilização Atual.

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Em setembro de 2016, depois de cuidadosa análise da situação do movimento esotérico internacional, um grupo de estudantes decidiu formar a Loja Independente de Teosofistas, que tem como uma das suas prioridades a construção de um futuro melhor nas diversas dimensões da vida.

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O grupo SerAtento oferece um estudo regular da teosofia clássica e intercultural ensinada por Helena Blavatsky (foto). 

Para ingressar no SerAtento, visite a página do e-grupo em YahooGrupos e faça seu ingresso de lá mesmo. O link direto é este:  

https://br.groups.yahoo.com/neo/groups/SerAtento/info.

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The Need to Rebuild Ourselves

How Spiritual Will Renews One’s Life

Helena P. Blavatsky


Pride, where wit fails, steps in to our defence
And fills up all the mighty void of sense….

Pope [1]
 

But why should the operations of nature
be changed? There may be a deeper philosophy
than we dream of – a philosophy that discovers
the secrets of nature, but does not alter, by

penetrating them, its course.

Bulwer [2]


Is it enough for man to know that he exists? Is it enough to be formed a human being to enable him to deserve the appellation of MAN? 

It is our decided impression and conviction, that to become a genuine spiritual entity, which that designation implies, man must first create himself anew, so to speak – i.e., thoroughly eliminate from his mind and spirit, not only the dominating influence of selfishness and other impurity, but also the infection of superstition and prejudice. 

The latter is far different from what we commonly term antipathy or sympathy. We are at first irresistibly or unwittingly drawn within its dark circle by that peculiar influence, that powerful current of magnetism which emanates from ideas as well as from physical bodies. By this we are surrounded, and finally prevented through moral cowardice – fear of public opinion – from stepping out of it. 

It is rare that men regard a thing in either its true or false light, accepting the conclusion by the free action of their own judgment. Quite the reverse. The conclusion is more commonly reached by blindly adopting the opinion current at the hour among those with whom they associate. 

A church member will not pay an absurdly high price for his pew any more than a materialist will go twice to listen to Mr. Huxley’s talk on evolution, because they think that it is right to do so; but merely because Mr. and Mrs. So-and-so have done it, and these personages are the S ____  and  S____’s.

The same holds good with everything else. If psychology had had its Darwin, the descent of man as regards moral qualities might have been found inseparably linked with that of his physical form. Society in its servile condition suggests to the intelligent observer of its mimicry a kinship between the Simia and human beings even more striking than is exhibited in the external marks pointed out by the great anthropologist. The many varieties of the ape – “mocking presentments of ourselves” – appear to have been evolved on purpose to supply a certain class of expensively-dressed persons with the material for genealogical trees.

Science is daily and rapidly moving toward the great discoveries in chemistry and physics, organology, and anthropology. Learned men ought to be free from preconceptions and prejudices of every kind; yet, although thought and opinion are now free, scientists are still the same men as of old. An Utopian dreamer is he who thinks that man ever changes with the evolution and development of new ideas. The soil may be well fertilized and made to yield with every year a greater and better variety of fruit; but, dig a little deeper than the stratum required for the crop, and the same earth will be found in the subsoil as was there before the first furrow was turned.

NOTES:

[1] “Essay on Man”, by Alexander Pope. (CCA, in 2017)

[2] “Zanoni”, by Edward Bulwer Lytton. (CCA, in 2017)

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Reproduced from “Isis Unveiled”, by Helena P. Blavatsky, Theosophy Co., Los Angeles. vol. I, pp. 39-40. Most of the above text was published at the October 2014 edition of “The Aquarian Theosophist”, under the same title “The Need to Rebuild Ourselves” (p. 5).

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In September 2016, after a careful analysis of the state of the esoteric movement worldwide, a group of students decided to form the Independent Lodge of Theosophists, whose priorities include the building of a better future in the different dimensions of life.  

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E-Theosophy e-group offers a regular study of the classic, intercultural theosophy taught by Helena P. Blavatsky (photo).

Those who want to join E-Theosophy e-group at YahooGroups can do that by visiting https://groups.yahoo.com/neo/groups/E-Theosophy/info.

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